Professor João Trindade explica as regras de colocação pronominal
Próclise (antes do verbo)
A próclise é usada quando, antes do verbo, houver uma palavra que tenha força atrativa sobre o pronome oblíquo átono (POA). Tais palavras, às quais podemos chamar de fatores de próclise (F.P.), são principalmente:
A próclise é comum nos seguintes casos:
1. Quando o verbo segue uma palavra ou expressão negativa: não, nunca, jamais, nada, ninguém, nem, de modo algum, de jeito nenhum, em hipótese alguma. Exemplos:
Não nos responsabilizaremos por sua atitude rebelde.
Nunca se acusou um cliente por esses motivos.
Um vendedor de nossa empresa jamais se contentará com níveis de faturamento tão baixos.
O relatório fora bem escrito, mas nada o recomendava como modelo que devesse ser imitado.
Ninguém o viu chegar, mas ele já se encontra no escritório.
2. As orações que se iniciam por pronomes e advérbios interrogativos também exigem antecipação do pronome ao verbo:
Por que o diretor se ausentou tão cedo?
Como se justificam essas afirmações?
Quem lhe disse que o gerente de vendas não se interessaria por tal fato?
3. As orações subordinadas substantivas, adjetivas ou adverbiais também exigem antecipação do pronome ao verbo.
Ainda que lhe enviassem relatórios substancias, não poderia tomar nenhuma decisão.
Quando o office-boy o interrogou, ele levantou a cabeça.
Aquela correspondência que te chegou às mãos...
4. Advérbios e locuções adverbiais, não seguidos de vírgula, exercem força atrativa sobre o pronome: mal, ainda, já, sempre, só, talvez, não:
Mal se despedira...
Ainda se ouvirá a voz dos que clamam no deserto.
Já se falou aqui da inconsequente...
Só se acredita naquilo por que se interessa.
Os relatórios talvez se abstenham de informar...
Não se manifestará apoio ao desonesto, corrupto e politiqueiro idealizador de semelhante comemoração.
5. O numeral ambos, bem como os pronomes indefinidos e demonstrativos (alguém, todos, tudo, outro, qualquer, este, esta, esse, essa, aquele, aquela, isto, isso, aquilo) também tem força atrativa:
Ambos os empregados me inquiriram sobre suas férias.
Alguém te dirá aos ouvidos...
Todos te olharão de esguelha...
Isso se transformará com o tempo.
Outra secretária se ajustará ao cargo com dificuldade.
Qualquer pessoa se persigna quando a situação está preta.
A próclise é usada quando, antes do verbo, houver uma palavra que tenha força atrativa sobre o pronome oblíquo átono (POA). Tais palavras, às quais podemos chamar de fatores de próclise (F.P.), são principalmente:
A próclise é comum nos seguintes casos:
1. Quando o verbo segue uma palavra ou expressão negativa: não, nunca, jamais, nada, ninguém, nem, de modo algum, de jeito nenhum, em hipótese alguma. Exemplos:
Não nos responsabilizaremos por sua atitude rebelde.
Nunca se acusou um cliente por esses motivos.
Um vendedor de nossa empresa jamais se contentará com níveis de faturamento tão baixos.
O relatório fora bem escrito, mas nada o recomendava como modelo que devesse ser imitado.
Ninguém o viu chegar, mas ele já se encontra no escritório.
2. As orações que se iniciam por pronomes e advérbios interrogativos também exigem antecipação do pronome ao verbo:
Por que o diretor se ausentou tão cedo?
Como se justificam essas afirmações?
Quem lhe disse que o gerente de vendas não se interessaria por tal fato?
3. As orações subordinadas substantivas, adjetivas ou adverbiais também exigem antecipação do pronome ao verbo.
Ainda que lhe enviassem relatórios substancias, não poderia tomar nenhuma decisão.
Quando o office-boy o interrogou, ele levantou a cabeça.
Aquela correspondência que te chegou às mãos...
4. Advérbios e locuções adverbiais, não seguidos de vírgula, exercem força atrativa sobre o pronome: mal, ainda, já, sempre, só, talvez, não:
Mal se despedira...
Ainda se ouvirá a voz dos que clamam no deserto.
Já se falou aqui da inconsequente...
Só se acredita naquilo por que se interessa.
Os relatórios talvez se abstenham de informar...
Não se manifestará apoio ao desonesto, corrupto e politiqueiro idealizador de semelhante comemoração.
5. O numeral ambos, bem como os pronomes indefinidos e demonstrativos (alguém, todos, tudo, outro, qualquer, este, esta, esse, essa, aquele, aquela, isto, isso, aquilo) também tem força atrativa:
Ambos os empregados me inquiriram sobre suas férias.
Alguém te dirá aos ouvidos...
Todos te olharão de esguelha...
Isso se transformará com o tempo.
Outra secretária se ajustará ao cargo com dificuldade.
Qualquer pessoa se persigna quando a situação está preta.
Aquilo me causa espanto.
Obs.: numerais, substantivos, pronomes pessoais retos, possessivos e de tratamento não são palavras atrativas, portanto a colocação é livre.
6. Nas locuções verbais, se houver negação ou pronome relativo ou interrogativo:
Não se pode deixar de realizar...
Coisas que se podem deixar de realizar...
Por que se deve realizar esta tarefa?
7. Se o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, pode-se utilizar a antecipação pronominal:
Eu me dedicarei aos estudos gramaticais quando...
Eu me dedicaria aos estudos gramaticais se...
Pode-se também utilizar mesóclise, mas é desaconselhável, embora não seja um erro gramatical. Embora o pronome pessoal do caso reto não tenha força atrativa, é recomendável a próclise para evitar o preciosismo da mesóclise.
8. Se houver vírgula depois do advérbio deve-se usar ênclise e não próclise.
Agora, esquecem-se dos amigos.
Mesóclise
O pronome oblíquo só pode ficar em mesóclise quando o verbo estiver no futuro (do presente ou do pretérito). Deve ser evitada em textos argumentativos, por conferir um tom cerimonioso ao discurso.
Dar-me-ei o prazer de...
Recomendar-nos-ia...
Para evitar afetação, por ser um uso restrita à linguagem religiosa, jurídica e científica, recomenda-se buscar a forma menos preciosa de construção. Coloca-se então um pronome pessoal e antecipa-se o pronome, usando-se a próclise, ou se forma uma locução verbal com o verbo auxiliar ir:
Eu me darei o prazer de... / Ou: Eu vou me dar o prazer de...
Eles nos recomendaria... / Ou: Eles iam nos recomendar...
obs: Caso o verbo esteja no futuro, mas antes dele haja um fator de próclise, deve-se usar próclise e não mesóclise.
Dar-te-ei meu apoio. (mesóclise)
Não te darei meu apoio. (próclise)
Ênclise
1. Nos casos infinitivos, pode-se pospor o pronome ao verbo:
O presidente quis enviar-lhe...
Para dizer-lhe a verdade...
Também se admite a construção:
Para lhe dizer a verdade...
2. A ênclise é obrigatória quando nada atrai o pronome oblíquo:
A secretária começou a interrogá-la...
Admite-se que o operador continue a digitá-lo.
3. O pronome tende a permanecer depois do verbo nas locuções verbais. Portanto, não fica solto entre os verbos, embora muitos gramáticos considerem correta:
A copeira continuou respondendo-lhe às perguntas.
Quando tu poderá dizer-nos...
Usos dos pronomes oblíquos com as locuções verbais e com os tempos compostos
Formas nominais:
Infinitivo: andar, viver, repor etc.
Gerúndio: andando, vivendo, repondo etc.
Particípio: andado, vivido, reposto etc.
Verbo auxiliar + infinitivo
Há várias construções possíveis:
Devia preparar-me melhor.
v.aux. infin.
Devia-me preparar melhor.
Não devia preparar-me melhor.
Não me devia preparar melhor.
Não devia me preparar melhor.
Verbo auxiliar + gerúndio
Há várias construções possíveis:
A gasolina foi-se acabando.
A gasolina foi acabando-se.
Verbo auxiliar + particípio
Há várias construções possíveis:
Eles se haviam esforçado
Eles haviam-se esforçado.
OBServação: Não se coloca pronome oblíquo após particípio:
Eles haviam esforçado-se. (errado)
OBServações gerais:
1. Não é recomendável iniciar oração com pronome oblíquo, exceto sob licença poética ou quando se pretende reproduzir a fala coloquial:
6. Nas locuções verbais, se houver negação ou pronome relativo ou interrogativo:
Não se pode deixar de realizar...
Coisas que se podem deixar de realizar...
Por que se deve realizar esta tarefa?
7. Se o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, pode-se utilizar a antecipação pronominal:
Eu me dedicarei aos estudos gramaticais quando...
Eu me dedicaria aos estudos gramaticais se...
Pode-se também utilizar mesóclise, mas é desaconselhável, embora não seja um erro gramatical. Embora o pronome pessoal do caso reto não tenha força atrativa, é recomendável a próclise para evitar o preciosismo da mesóclise.
8. Se houver vírgula depois do advérbio deve-se usar ênclise e não próclise.
Agora, esquecem-se dos amigos.
Mesóclise
O pronome oblíquo só pode ficar em mesóclise quando o verbo estiver no futuro (do presente ou do pretérito). Deve ser evitada em textos argumentativos, por conferir um tom cerimonioso ao discurso.
Dar-me-ei o prazer de...
Recomendar-nos-ia...
Para evitar afetação, por ser um uso restrita à linguagem religiosa, jurídica e científica, recomenda-se buscar a forma menos preciosa de construção. Coloca-se então um pronome pessoal e antecipa-se o pronome, usando-se a próclise, ou se forma uma locução verbal com o verbo auxiliar ir:
Eu me darei o prazer de... / Ou: Eu vou me dar o prazer de...
Eles nos recomendaria... / Ou: Eles iam nos recomendar...
obs: Caso o verbo esteja no futuro, mas antes dele haja um fator de próclise, deve-se usar próclise e não mesóclise.
Dar-te-ei meu apoio. (mesóclise)
Não te darei meu apoio. (próclise)
Ênclise
1. Nos casos infinitivos, pode-se pospor o pronome ao verbo:
O presidente quis enviar-lhe...
Para dizer-lhe a verdade...
Também se admite a construção:
Para lhe dizer a verdade...
2. A ênclise é obrigatória quando nada atrai o pronome oblíquo:
A secretária começou a interrogá-la...
Admite-se que o operador continue a digitá-lo.
3. O pronome tende a permanecer depois do verbo nas locuções verbais. Portanto, não fica solto entre os verbos, embora muitos gramáticos considerem correta:
A copeira continuou respondendo-lhe às perguntas.
Quando tu poderá dizer-nos...
Usos dos pronomes oblíquos com as locuções verbais e com os tempos compostos
Formas nominais:
Infinitivo: andar, viver, repor etc.
Gerúndio: andando, vivendo, repondo etc.
Particípio: andado, vivido, reposto etc.
Verbo auxiliar + infinitivo
Há várias construções possíveis:
Devia preparar-me melhor.
v.aux. infin.
Devia-me preparar melhor.
Não devia preparar-me melhor.
Não me devia preparar melhor.
Não devia me preparar melhor.
Verbo auxiliar + gerúndio
Há várias construções possíveis:
A gasolina foi-se acabando.
A gasolina foi acabando-se.
Verbo auxiliar + particípio
Há várias construções possíveis:
Eles se haviam esforçado
Eles haviam-se esforçado.
OBServação: Não se coloca pronome oblíquo após particípio:
Eles haviam esforçado-se. (errado)
OBServações gerais:
1. Não é recomendável iniciar oração com pronome oblíquo, exceto sob licença poética ou quando se pretende reproduzir a fala coloquial:
Me telefonaram esta manhã de João Pessoa.
Te perguntaram alguma coisa?
Se esqueceu de falar o gerente?
Os pronomes retos podem começar frases.
As conjunções - coordenativas e subordinativas - também podem começar.
2. O gerúndio determina que o pronome venha antes dele ou depois dele (mas sempre ligado por hífen a um verbo) quando em locuções verbais:
A secretária ia-se esquecendo de relatar...
A secretária ia esquecendo-se de relatar...
A gramática tradicional recomenda que o pronome não fique solto entre os verbos:
A secretária ia se esquecendo...
3. É comum e desejável substituir o pronome possessivo por um oblíquo, recurso extremamente elegante, principalmente em nomes de partes do corpo, peças de vestuário, qualidades do espírito, relações de parentesco e objetos de uso pessoal:
Queimei o seu braço...
Queimei-lhe o braço...
Pisei no seu pé...
Pisei-lhe o pé...
O uso dos pronomes oblíquos átonos ME, TE, SE, O(S), A(S), LHE(S) e NOS em relação ao verbo é bastante livre no Brasil: depende muito do ritmo, da harmonia, da ênfase e principalmente da eufonia. Como a pronúncia brasileira é diferente da portuguesa, a colocação pronominal neste lado do Atlântico também difere da de Portugal. O português brasileiro é essencialmente proclítico, isto é, preferimos usar o pronome na frente do verbo na maior parte do tempo. Tudo poderia se resumir à próclise, então. Mas não é assim tão simples. Há algumas orientações e regras a serem seguidas.
Próclise ou ênclise - O pronome pode ficar antes ou depois do verbo quando houver:
1) sujeito explícito (pronome pessoal reto, de tratamento ou possessivo), substantivo ou numeral antes do verbo:
Ele se manteve / manteve-se irredutível em relação ao divórcio.
William Golding se consagrou/consagrou-se como um mestre em esmiuçar questões complexas da natureza humana.
Desde os dois anos de idade Laís se veste /veste-se sozinha.
Humilhar o vizinho se tornou/tornou-se uma obsessão para Joel.
Por muito tempo aquelas pessoas se debateram/debateram-se com o alcoolismo.
2) conjunção coordenativa (e, nem, mas, porém, todavia, contudo, logo e portanto):
Gostei da festa, porém me despedi/despedi-me cedo.
Tem rompantes, mas se arrepende/arrepende-se depois.
O governador foi taxativo e se estendeu/estendeu-se longamente sobre o assunto.
3) preposição antes de verbo no infinitivo:
Nas lojas esportivas encontramos o equipamento ideal para proporcionar-nos/para nos proporcionar uma vida sadia.
Temos satisfação em lhe participar / em participar-lhe a inauguração da fábrica.
Tenho o prazer de lhes falar/falar-lhes sobre a filosofia que norteia nossa instituição.
Obs. Quando o pronome é a/as, o/os, torna-se preferível a ênclise, por questões de eufonia: Conseguido o divórcio, sentiu-se tentada a enganá-lo (em vez de a o enganar) na divisão dos bens. / Tenho o prazer de convidá-los a comparecer ao batismo. / Folgo por sabê-los bem.
Recomendações
Para muitos, trata-se de regras rígidas, mais do que recomendações. Digamos que quem quer redigir com correção e estilo deve cuidar para adotar a próclise nas seguintes situações:
1) Os pronomes indefinidos, demonstrativos e relativos e as conjunções subordinativas atraem o pronome átono; para facilitar seu reconhecimento, convém notar que grande parte começa com qu, com exceção de alguns:
Eis o livro do qual se falou a noite inteira.
Procuramos quem se interesse por criação de bicho-da-seda.
Quer me arrependa, quer não, irei lá.
O resultado das urnas serviu para mostrar a falácia daqueles que se jactavam de uma força política que lhes permitia tudo.
Sua carreira política começou em 1955, quando se elegeu vereador pelo antigo PTB.
Em sociedade tudo se sabe. / Isto me traz boas lembranças. / Onde se meteram eles?
2) Também as palavras e expressões negativas atraem o pronome átono:
Nada nos afeta tanto quanto o aumento do leite. / Nunca se viu coisa igual.
Não me diga isso para não me aborrecer. / Ninguém os tolera.
Jamais se soube a verdadeira versão dos fatos.
É interessante observar que se a palavra negativa precede um infinitivo não flexionado, o pronome pode vir depois do verbo: Calei para não a magoar. Calei para não magoá-la. / Saí para não os incomodar/para não incomodá-los.
3) Advérbios, palavras denotativas e locuções adverbiais de um modo geral atraem o pronome átono:
Aqui se faz, aqui se paga. / Agora te reconheço. / Sempre se disse isso.
Lá se foi nosso dinheiro... / Talvez nos encontremos. / Devagar se vai ao longe.
Ele certamente a viu. / Muito nos contaram sobre isso. / Logo se saberá o resultado.
Dissemos, na semana passada, que a língua portuguesa no Brasil é proclítica. Tanto é assim que o Manual Geral de Redação da Folha de S. Paulo resume sua orientação alertando para esse ponto: “Atualmente o pronome é colocado antes do verbo haja ou não uma palavra que o atraia (pronome relativo, negações etc.). Mas em pelo menos um caso usa-se o pronome depois do verbo: início de oração”.
proibições - Há apenas duas situações inviáveis:
1) a ênclise com os tempos futuros; em outros termos: colocar o pronome átono depois dos verbos no futuro do presente e do pretérito do indicativo e no futuro do subjuntivo:
fazerei-me / faria-nos / diriam-se / se disser-te / quando puse-las / se trouxe-las etc.
A secretária ia-se esquecendo de relatar...
A secretária ia esquecendo-se de relatar...
A gramática tradicional recomenda que o pronome não fique solto entre os verbos:
A secretária ia se esquecendo...
3. É comum e desejável substituir o pronome possessivo por um oblíquo, recurso extremamente elegante, principalmente em nomes de partes do corpo, peças de vestuário, qualidades do espírito, relações de parentesco e objetos de uso pessoal:
Queimei o seu braço...
Queimei-lhe o braço...
Pisei no seu pé...
Pisei-lhe o pé...
O uso dos pronomes oblíquos átonos ME, TE, SE, O(S), A(S), LHE(S) e NOS em relação ao verbo é bastante livre no Brasil: depende muito do ritmo, da harmonia, da ênfase e principalmente da eufonia. Como a pronúncia brasileira é diferente da portuguesa, a colocação pronominal neste lado do Atlântico também difere da de Portugal. O português brasileiro é essencialmente proclítico, isto é, preferimos usar o pronome na frente do verbo na maior parte do tempo. Tudo poderia se resumir à próclise, então. Mas não é assim tão simples. Há algumas orientações e regras a serem seguidas.
Próclise ou ênclise - O pronome pode ficar antes ou depois do verbo quando houver:
1) sujeito explícito (pronome pessoal reto, de tratamento ou possessivo), substantivo ou numeral antes do verbo:
Ele se manteve / manteve-se irredutível em relação ao divórcio.
William Golding se consagrou/consagrou-se como um mestre em esmiuçar questões complexas da natureza humana.
Desde os dois anos de idade Laís se veste /veste-se sozinha.
Humilhar o vizinho se tornou/tornou-se uma obsessão para Joel.
Por muito tempo aquelas pessoas se debateram/debateram-se com o alcoolismo.
2) conjunção coordenativa (e, nem, mas, porém, todavia, contudo, logo e portanto):
Gostei da festa, porém me despedi/despedi-me cedo.
Tem rompantes, mas se arrepende/arrepende-se depois.
O governador foi taxativo e se estendeu/estendeu-se longamente sobre o assunto.
3) preposição antes de verbo no infinitivo:
Nas lojas esportivas encontramos o equipamento ideal para proporcionar-nos/para nos proporcionar uma vida sadia.
Temos satisfação em lhe participar / em participar-lhe a inauguração da fábrica.
Tenho o prazer de lhes falar/falar-lhes sobre a filosofia que norteia nossa instituição.
Obs. Quando o pronome é a/as, o/os, torna-se preferível a ênclise, por questões de eufonia: Conseguido o divórcio, sentiu-se tentada a enganá-lo (em vez de a o enganar) na divisão dos bens. / Tenho o prazer de convidá-los a comparecer ao batismo. / Folgo por sabê-los bem.
Recomendações
Para muitos, trata-se de regras rígidas, mais do que recomendações. Digamos que quem quer redigir com correção e estilo deve cuidar para adotar a próclise nas seguintes situações:
1) Os pronomes indefinidos, demonstrativos e relativos e as conjunções subordinativas atraem o pronome átono; para facilitar seu reconhecimento, convém notar que grande parte começa com qu, com exceção de alguns:
Eis o livro do qual se falou a noite inteira.
Procuramos quem se interesse por criação de bicho-da-seda.
Quer me arrependa, quer não, irei lá.
O resultado das urnas serviu para mostrar a falácia daqueles que se jactavam de uma força política que lhes permitia tudo.
Sua carreira política começou em 1955, quando se elegeu vereador pelo antigo PTB.
Em sociedade tudo se sabe. / Isto me traz boas lembranças. / Onde se meteram eles?
2) Também as palavras e expressões negativas atraem o pronome átono:
Nada nos afeta tanto quanto o aumento do leite. / Nunca se viu coisa igual.
Não me diga isso para não me aborrecer. / Ninguém os tolera.
Jamais se soube a verdadeira versão dos fatos.
É interessante observar que se a palavra negativa precede um infinitivo não flexionado, o pronome pode vir depois do verbo: Calei para não a magoar. Calei para não magoá-la. / Saí para não os incomodar/para não incomodá-los.
3) Advérbios, palavras denotativas e locuções adverbiais de um modo geral atraem o pronome átono:
Aqui se faz, aqui se paga. / Agora te reconheço. / Sempre se disse isso.
Lá se foi nosso dinheiro... / Talvez nos encontremos. / Devagar se vai ao longe.
Ele certamente a viu. / Muito nos contaram sobre isso. / Logo se saberá o resultado.
Dissemos, na semana passada, que a língua portuguesa no Brasil é proclítica. Tanto é assim que o Manual Geral de Redação da Folha de S. Paulo resume sua orientação alertando para esse ponto: “Atualmente o pronome é colocado antes do verbo haja ou não uma palavra que o atraia (pronome relativo, negações etc.). Mas em pelo menos um caso usa-se o pronome depois do verbo: início de oração”.
proibições - Há apenas duas situações inviáveis:
1) a ênclise com os tempos futuros; em outros termos: colocar o pronome átono depois dos verbos no futuro do presente e do pretérito do indicativo e no futuro do subjuntivo:
fazerei-me / faria-nos / diriam-se / se disser-te / quando puse-las / se trouxe-las etc.
Em 'é importante superá-la' a ênclise está correta, porque o verbo está no infinitivo. Substituindo o verbo 'superar' que é regular por um irregular como 'fazer' - 'é importante fazê-la'.
2) o pronome átono depois do particípio: Eu já teria aposentado-me se ganhasse bem.
Se aplicar a orientação de sempre usar o pronome na frente do verbo, você já não corre o risco de cometer esse erro de ênclise. Como corrigir essas situações, então? Usar a próclise colocando um sujeito explícito antes do verbo, para não deixar o pronome no início da frase:
Eu me benzerei; ele nos faria um favor; se te disser; quando (eu) as puser no lugar; eles se diriam magoados. Ficarei feliz se (você) as trouxer junto.
Eu já teria me aposentado se ganhasse bem.
Começo de frase
Ainda não aceita na linguagem culta formal, a colocação do pronome átono em início de frase é permitida na linguagem informal e nos diálogos - pode ser “proibida”, portanto já é aceita. Celso Cunha e Lindley Cintra, na Nova Gramática do Português Contemporâneo (1985: 307), observam que essa possibilidade é característica do português do Brasil e também do português falado nas repúblicas africana.
E já escrevia Mário de Andrade, em “Turista Aprendiz”: Se sente que o dia vai sair por detrás do mato. Em todo caso, deve-se evitar o uso do pronome “se” no começo da frase porque ele pode induzir o leitor a pensar que se trata da conjunção condicional se.
Locução verbal
Relembrando: locução verbal é a reunião de dois ou mais verbos para exprimir uma só ação. O primeiro verbo é chamado auxiliar; o último é o principal e está sempre no infinitivo, no gerúndio ou no particípio. Para melhor visualização e fixação, vejamos as possibilidades de colocação dos pronomes átonos por meio de exemplos apenas.
1) Auxiliar + Infinitivo
Quero fazer-lhe uma surpresa. [correta, mas pouco usada]
Quero-lhe fazer uma surpresa. [com hífen é mais lusitano]
Quero lhe fazer uma surpresa. [sem hífen é mais brasileiro]
Eu lhe quero fazer uma surpresa. [correta, mas pouco frequente]
2) Auxiliar + Infinitivo com preposição
Começamos a nos preparar para o vestibular.
Começamos a preparar-nos para o vestibular.
3) Auxiliar + Gerúndio
Eles foram afastando-se. [correta, mas pouco usada]
Eles foram-se afastando. [colocação lusitana]
Eles foram se afastando. [colocação brasileira]
Eles se foram afastando. [correta, mas pouco usada]
4) Auxiliar + Particípio
O povo havia-se retirado quando chegamos.
O povo havia se retirado quando chegamos.
O povo se havia retirado quando chegamos.
Veja que aqui só há três opções, porque não se permite a ênclise com o particípio.
2) o pronome átono depois do particípio: Eu já teria aposentado-me se ganhasse bem.
Se aplicar a orientação de sempre usar o pronome na frente do verbo, você já não corre o risco de cometer esse erro de ênclise. Como corrigir essas situações, então? Usar a próclise colocando um sujeito explícito antes do verbo, para não deixar o pronome no início da frase:
Eu me benzerei; ele nos faria um favor; se te disser; quando (eu) as puser no lugar; eles se diriam magoados. Ficarei feliz se (você) as trouxer junto.
Eu já teria me aposentado se ganhasse bem.
Começo de frase
Ainda não aceita na linguagem culta formal, a colocação do pronome átono em início de frase é permitida na linguagem informal e nos diálogos - pode ser “proibida”, portanto já é aceita. Celso Cunha e Lindley Cintra, na Nova Gramática do Português Contemporâneo (1985: 307), observam que essa possibilidade é característica do português do Brasil e também do português falado nas repúblicas africana.
E já escrevia Mário de Andrade, em “Turista Aprendiz”: Se sente que o dia vai sair por detrás do mato. Em todo caso, deve-se evitar o uso do pronome “se” no começo da frase porque ele pode induzir o leitor a pensar que se trata da conjunção condicional se.
Locução verbal
Relembrando: locução verbal é a reunião de dois ou mais verbos para exprimir uma só ação. O primeiro verbo é chamado auxiliar; o último é o principal e está sempre no infinitivo, no gerúndio ou no particípio. Para melhor visualização e fixação, vejamos as possibilidades de colocação dos pronomes átonos por meio de exemplos apenas.
1) Auxiliar + Infinitivo
Quero fazer-lhe uma surpresa. [correta, mas pouco usada]
Quero-lhe fazer uma surpresa. [com hífen é mais lusitano]
Quero lhe fazer uma surpresa. [sem hífen é mais brasileiro]
Eu lhe quero fazer uma surpresa. [correta, mas pouco frequente]
2) Auxiliar + Infinitivo com preposição
Começamos a nos preparar para o vestibular.
Começamos a preparar-nos para o vestibular.
3) Auxiliar + Gerúndio
Eles foram afastando-se. [correta, mas pouco usada]
Eles foram-se afastando. [colocação lusitana]
Eles foram se afastando. [colocação brasileira]
Eles se foram afastando. [correta, mas pouco usada]
4) Auxiliar + Particípio
O povo havia-se retirado quando chegamos.
O povo havia se retirado quando chegamos.
O povo se havia retirado quando chegamos.
Veja que aqui só há três opções, porque não se permite a ênclise com o particípio.
Comentários
Postar um comentário