Pílulas do Conhecimento - Programa 33 - Pronome

Pronome é a palavra que substitui o nome ou a ele se refere:
            Ele é bondoso.
            Pegue aquele livro.

Classificação
      Os pronomes podem ser classificados como:
• Pessoais
• Possessivos
• Demonstrativos
• Indefinidos
• Interrogativos
• Relativos
• Reflexivos (indicam que a ação reflete no próprio sujeito)
• Recíprocos (indicam que a ação é mútua entre os sujeitos)

I. Pronomes Pessoais
      Os pronomes pessoais designam as três pessoas do discurso e podem ser:
# Retos – exercem, em geral, função de sujeito, predicativo do sujeito, aposto ou vocativo, esse último com tu e vós:
                       eu
      Singular     tu
                       ele, ela
           
                       nós
      Plural         vós
                       eles, elas

# Oblíquos – exercem função de objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial ou sujeito de verbo no infinitivo, com verbo causativo ou sensitivo:
                me
                te
Átonos    o, a, lhe, se,
                nos
                vos
                os, as, lhes, se

                mim, comigo
                ti, contigo
Tônicos   si, consigo, ele, ela
                nós, conosco
                vós, convosco
                si, consigo, eles, elas

preposição (a, de, em, por, entre, para, sem, contra) - mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas
preposição com + mim, ti, si, nós, vós = comigo, contigo, consigo, conosco, convosco

Eu e tu são sempre pronomes retos. Os demais podem ser retos ou oblíquos.

Os pronomes o, a, os, as aparecem com as seguintes formas:

lo, la, los, las - depois de verbos terminados em R, S ou Z, tendo essas consoantes retiradas
no, na, nos, nas - depois de verbos terminados em som nasal

Os pronomes me, te, lhe, nos e vos (objeto indireto) podem se juntar às formas o, a, os e as (objeto indireto) gerando as formas mo, to, lho, no-lo e vo-lo

Em alguns casos, o pronome oblíquo não funciona como objeto, mas como sujeito do verbo no infinitivo que funciona como oração reduzida.
                               
# de Tratamento – empregados no trato com as pessoas, de modo familiar, cerimonioso ou oficial. Os mais comuns são:
    Você (V.), Vocês (VV.): familiar
    Senhor (Sr.), Senhora (Sra.), Senhores (Srs.), Senhoras (Sra.): respeito
    Senhorita (Srta.), Senhoritas (Srtas.): respeito (para mulher solteira apenas)
    Vossa Senhoria (V.Sa), Vossas Senhorias (V.Sas.): para funcionários públicos graduados, oficiais até coronel, comerciantes e pessoas de cerimônia. Normalmente se usa em textos escritos como cartas comerciais, ofícios, requerimentos etc.
    Vossa Excelência (V.Exa.), Vossas Excelências (V.Exas.): para altas autoridades do Governo e oficiais-generais das Forças Armadas, presidentes de estabelecimentos bancários e financeiros e instituições culturais e científicas nacionais
    Vossa Magnificência (V.Maga.), Vossas Magnificências (V. Magas.): para reitores de universidades e de outras instituições de ensino superior
    Vossa Alteza (V.A), Vossas Altezas (V. A.): para príncipes, princesas, duques, duquesas, arquiduques e arquiduquesas
    Vossa Majestade (V.M.), Vossas Majestades (V.V.M.M.): para reis, rainhas, imperadores e imperatrizes
    Vossa Reverendíssima (V.Revma.), Vossas Reverendíssimas (V.Revmas.): para sacerdotes e religiosos em geral
    Vossa Eminência (V.Ema.), Vossas Eminências (V.Emas.): para cardeais
    Vossa Santidade (V.S.): para o papa e o Dalai Lama
    Vossa Onipotência (V.O.): para Deus

Não cabe um Vossa Meritíssima, como alguns gramáticos andam ensinando por aí, bem como não cabe um Vossa Excelentíssima, como alguns parlamentares andam usando por aí, pois se criaria uma exótica e inaceitável sequência (Vossa + adjetivo), que nosso idioma desconhece, porque esses pronomes se iniciam pela seguinte sequência: Vossa + substantivo feminino. No mundo jurídico, é muito comum (e adequado) usar Meritíssimo como adjetivo de tratamento para magistrados. Ao se dirigir diretamente a um juiz, pode-se simplesmente usar Meritíssimo ou Meritíssima, caso se trate de uma juíza.

Embora esses pronomes se dirijam à segunda pessoa, fazem a concordância na 3ª pessoa.

O gênero gramatical deve concordar com o sexo da pessoa a que se refere, e não com o pronome que compõe a locução. 

Dicas de redação oficial:

Vossa Excelência - altas autoridades: Poder Executivo, Legislativo e Judiciário
Vossa Senhoria - demais autoridades e particulares

Vocativo:

Para os Chefes de Poder: Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo respectivo e vírgula. Exemplos: Excelentíssimo Senhor Presidente da República (Executivo), Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional (Legislativo), Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal (Judiciário).
Para as demais autoridades: Senhor, seguido do cargo respectivo e vírgula. Exemplos: Senhor Ministro, Senhor Senador, Senhor Juiz, Senhor Deputado, Senhor Governador, Senhor Prefeito.
Para as autoridades tratadas por Vossa Senhoria: Senhor, seguido do nome e vírgula

Digníssimo - abolido, porque dignidade é um pressuposto para quem ocupa um cargo público, sendo desnecessária sua repetida evocação
Ilustríssimo - dispensado o uso para autoridades tratadas por Vossa Senhoria, é suficiente o uso do pronome Senhor
Doutor - não configura forma de tratamento, mas título acadêmico. Seu uso se limita àqueles que concluíram o grau de doutorado. Por questão histórica, é comum chamar por doutor médicos, advogados e dentistas, embora não tenham esse grau. Nos demais casos, o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às comunicações

Endereçamento:

Vossa Excelência - A Sua Excelência o Senhor / A Sua Excelência a Senhora
Vossa Senhoria - Ao Senhor / À Senhora

Fecho:

Respeitosamente - para autoridades superiores
Atenciosamente - para autoridades de mesma hierarquia ou hierarquia inferior

Extra:

Vossa Magnificência - para reitores de universidades e outras instituições de ensino superior. Vocativo: Magnífico Reitor, seguido de vírgula.
Vossa Santidade - para o Papa e o Dalai Lama. Vocativo: Santíssimo Padre, seguido de vírgula
Vossa Eminência e Vossa Eminência Reverendíssima - para cardeais. Vocativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal ou Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal, seguido de vírgula
Vossa Excelência Reverendíssima - para arcebispos e bispos
Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima - para monsenhores, cônegos e superiores religiosos
Vossa Reverência - para sacerdotes, clérigos e demais religiosos
Vossa Majestade - para imperadores e reis
Vossa Alteza - para arquiduques, duques e príncipes

Observação - “Vossa” é usado em relação à pessoa com quem falamos e “Sua” em relação à pessoa de quem falamos:
         Como está Vossa Excelência?
         Sua Excelência disse-me que não se sentia bem.

II. Pronomes Possessivos
      Os pronomes possessivos indicam posse em relação às três pessoas do discurso, determinando o que pertence a cada uma delas. Concordam em pessoa com o possuidor e em gênero e número com a coisa possuída:
          meu, minha, meus, minhas
          teu, tua, teus, tuas
          seu, sua, seus, suas
          dele, dela, deles, delas
          nosso, nossa, nossos, nossas
          vosso, vossa, vossos, vossas

Os pronomes possessivos podem substituir o pronome oblíquo tônico antecedido da preposição de que funciona como complemento nominal de um substantivo.

ao lado de mim = ao meu lado
por causa de você = por sua causa
em favor de nós = em nosso favor

Em geral, os pronomes possessivos precedem o substantivo, mas há exceções.

Minha vida é cheia de altos e baixos.
Fiquei sem notícias suas durante um ano.

Podem ser substituídos pelos pronomes oblíquos me, te, nos, vos, lhe, lhes.

Encontrei-lhe o relógio. (seu relógio)
Tomaram-nos o lugar. (o nosso lugar)

São sempre possessivos, com exceção de nossa, que pode ser usado como interjeição, vossa e sua, que podem fazer parte de pronomes de tratamento.

Para indicar que algo pertence à terceira pessoa, usa-se a preposição de mais o pronome reto (ele, ela, eles, elas), que resulta em uma contração (dele, dela, deles, delas).
Se o sujeito não for um pronome, mas um substantivo, usa-se a preposição de posse (de) mais o nome do sujeito.

III. Pronomes Demonstrativos
      Os pronomes demonstrativos indicam posição no espaço, no tempo ou no próprio texto em relação às três pessoas do discurso:
          1ª pessoa - este, esta, estes, estas, isto
          2ª pessoa - esse, essa, esses, essas, isso
          3ª pessoa - aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo
Observação - Usamos os demonstrativos de 1ª pessoa para indicar o que está perto da pessoa que fala ou o tempo presente; os de 2ª pessoa para indicar o que está perto da pessoa com quem se fala, o tempo passado ou futuro próximo; os da 3ª pessoa para indicar o que está longe de ambas ou o tempo passado ou futuro distante:
      Isto é para você.
      Dê-me esses livros que estão a seu lado.
      Como é linda aquela árvore!
      Neste momento, o rio está transbordando.
      Nesse dia, não saí.
      Nesse dia, vou ao dentista.
      Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos...
      ATENÇÃO:
      São também pronomes demonstrativos:
* o, a, os, as (quando equivalem a um pronome demonstrativo):
      Não sei o que ele quer ( = aquilo).
      As melhores canetas são as que deixei sobre a mesa ( = aquelas).
* mesmo, mesma, mesmos, mesmas:
      Ele mesmo não sabe a verdade.
      Elas mesmas fizeram o questionário.
* próprio, própria, próprios, próprias:
      Ela própria contou o ocorrido.
      Eles estavam preocupados com os próprios negócios.
* semelhante, semelhantes:
      Como pudeste ter semelhante ideia?
      Vocês não devem fazer semelhantes coisas.
* tal, tais:
      Tal foi a posição que assumimos na empresa.
      Tais coisas não deveriam ser ditas.

Quando se redige um texto, os pronomes demonstrativos de 1ª pessoa são usados como elemento catafórico, isto é, para se referir a algo que vai ser citado no discurso, e os de 2ª pessoa como elemento anafórico, isto é, para se referir a algo que já foi citado no discurso.

Isto já foi comprovado cientificamente: o fumo é prejudicial à saúde.
Cultura é fundamental, é isso que digo sempre.

Em um período ou parágrafo, os pronomes demonstrativos de 1ª pessoa são usados para retomar o primeiro elemento citado e os de 3ª pessoa, o último elemento citado.

Matemática e Literatura me agradam: esta me desenvolve a sensibilidade; aquela, o raciocínio.



IV. Pronomes Indefinidos
      Os pronomes indefinidos referem-se à terceira pessoa do discurso, quando esta tem sentido vago ou indefinido. Eles podem ser variáveis ou invariáveis:
1. Variáveis
     algum, alguma, alguns, algumas
     bastante, bastantes
     certo, certa, certos, certas
     muito, muita, muitos, muitas
     nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas
     outro, outra, outros, outras
     pouco, pouca, poucos, poucas
     qualquer, quaisquer
     quanto, quanta, quantos, quantas
     tanto, tanta, tantos, tantas
     todo, toda, todos, todas             
     vário, vária, vários, várias   
     um, uma, uns, umas
Exemplos:
      A uns interessa o poder; a outros, o aperfeiçoamento do espírito.
      Várias pessoas ouviram-no cantar.
2. Invariáveis
      algo
      alguém
      cada
      nada
      ninguém
      outrem
      tudo
      quem
      mais
      menos
      demais
      algures
      alhures
      nenhures
      fulano
      sicrano
      beltrano

Segundo alguns gramáticos, algures, alhures e nenhures são advérbios de lugar, e não pronomes indefinidos, e fulano, sicrano e beltrano são substantivos, e não pronomes indefinidos.

Exemplos:
      Havia algo caído no chão.
      Nada é eterno.
NOTA — Quando duas ou mais palavras desempenham a função de pronome indefinido, denominam-se locuções pronominais indefinidas:
           a gente
           cada um
           cada qual
           qualquer um
           quanto quer que
           quem quer que
           todo aquele que
           seja qual for
           seja quem for
           todo o mundo
Exemplos:
      Cada qual sabe de si.
      Seja qual for o preço, compraremos a casa.
                 
V. Pronomes Interrogativos
Não existem pronomes exclusivamente interrogativos, mas pronomes indefinidos que desempenham a função de pronomes interrogativos.
      Os pronomes interrogativos são quatro dos pronomes indefinidos, quando os empregamos na interrogação direta ou indireta. São eles:
      quem
      que
      qual, quais
      quanto, quanta, quantos, quantas
Exemplos:
      Quem é ela?
      Que faz ele aqui?
      Quais livros você quer?
      Quanto custa esta bicicleta?
Observação: os pronomes interrogativos podem ser também empregados na interrogação indireta:
      Diga-me quem é ela.
      Pergunte que faz ele aqui.
      Não sei quais livros você quer.
      Gostaria de saber quanto custa esta bicicleta.

'O que' e 'que que' são formas enfáticas de que. Exemplos: O que é isso? / Que que são hiperônimos?

Quando, como, onde e por que são advérbios interrogativos.

Esses pronomes só serão interrogativos quando aparecerem em perguntas, caso contrário serão classificados como indefinidos.

VI. Pronomes Relativos
      Os pronomes relativos substituem ou modificam um nome antecedente:
          Não encontro o jornal que comprei ( = o qual jornal comprei).
          Conheço a moça à qual te referiste ( = à qual moça te referiste).
      Os pronomes relativos podem ser variáveis ou invariáveis.
1. Variáveis
      o qual, a qual, os quais, as quais
      cujo, cuja, cujos, cujas - relaciona possuidor à coisa possuída
      quanto, quanta, quantos, quantas (precedidos dos indefinidos TUDO, TODO, TANTO e suas variações).
Exemplos:
      Os livros sobre os quais ele falava são ótimos.
      A aluna cujos pais são dentistas é esta.
      Tudo quanto estudamos é importante.
      Agradeço a todos quantos vieram abraçar-me.
      Recolheram tanto alimento quanto puderam.
NOTA — os pronomes relativos substituem um termo que já apareceu anteriormente, evitando que ele seja repetido.
Exemplos:
      Não conheço o aluno. O aluno chegou.
      Não conheço o aluno que chegou.
2. Invariáveis
      que - em referência a coisas ou pessoas
      quem - em referência a pessoas ou seres personificados
      onde - em referência a lugares
      como - quando houver as palavras modo, maneira, forma e jeito
      quando - quando houver alguma palavra que indica tempo
Exemplos:
      A menina que saiu é minha sobrinha.
      Você conhece Marta, a quem emprestamos o carro?
      A casa onde moro é confortável.
      A forma como ele discursou foi comovente.
      Gosto da hora quando o sol se põe.

Eles podem vir precedidos de preposição se a regência assim determinar.

Formas dos pronomes relativos:

Simples: que, quem, onde, como, quando (invariáveis)
               cujo, quanto (variáveis)

Composta: o qual (variável)

                 Pronome Substantivo e Pronome Adjetivo
      Todo pronome pode ser classificado como:
# Pronome Substantivo: o que substitui o nome:
      A caneta vermelha é minha.
# Pronome Adjetivo: o que se refere ao nome:
      Minha caneta é vermelha.

Os pronomes pessoais, de tratamento e relativos (com exceção de cujo e suas flexões) são sempre pronomes substantivos. Os demais podem ser ora pronomes substantivos, ora pronomes adjetivos.

Usa-se frequentemente a expressão a gente em substituição ao pronome pessoal reto de 1ª pessoa (nós). A concordância deve ser feita na 3ª pessoa do singular. Em situações formais, o pronome nós deve ser usado.

Os pronomes de tratamento são usados de modo cerimonioso e oficial. O pronome você perdeu esse caráter, sendo usado em substituição ao pronome reto de 2ª pessoa (tu).

O pronome pessoal de 2ª pessoa do plural (vós) é pouco usado no português falado no Brasil, e aparece na linguagem litúrgica, ultraformal ou literária. Normalmente, usa-se o pronome de tratamento vocês em vez de vós.

Embora a norma culta não aceite, é comum na linguagem coloquial o pronome pessoal do caso reto atuando como objeto direto ou indireto. A literatura já registra esse uso.

É comum o uso dos pronomes possessivos sem ideia de posse. Eles podem indicar aproximação, afeto, respeito ou ofensa.

Na linguagem coloquial, o pronome demonstrativo isso costuma ser usado como equivalente a sim em respostas afirmativas.

É comum na linguagem do dia a dia a substituição do pronome indefinido algo pela expressão alguma coisa.

Na linguagem informal, é comum não se usar o pronome cujo (e flexões), com exceção da expressão dito-cujo, e substituí-lo pelo pronome que, e também usar o pronome onde para se referir a um tempo ou a uma situação, e não a um lugar.

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