Pílulas do Conhecimento - Programa 18 - Figuras de Linguagem, Tipos de Discurso e Versificação
Para entendermos as figuras de linguagem, precisamos saber o que é uma frase com sentido denotativo e conotativo. O sentido denotativo é o sentido real da palavra. O conotativo é o sentido irreal ou figurado. Assim, figuras de linguagem são artifícios utilizados por quem fala ou escreve, no sentido conotativo, para dar mais força à expressão.
Observe os dois exemplos abaixo:
O tigre é uma fera. (fera = animal feroz - sentido denotativo)
Eu sou fera em matemática. (fera = pessoa inteligente - sentido conotativo)
Podemos classificar as figuras de linguagem em 3 tipos:
a) Figuras de palavras (ou tropos)
b) Figuras de construção (ou sintaxe)
c) Figuras de pensamento
FIGURAS DE PALAVRAS ou TROPOS
1. Metáfora: é o desvio da significação própria de uma palavra nascido de uma comparação mental ou característica comum entre dois seres ou fatos.
O pavão é um arco-iris de plumas (...é como um arco-íris...)
Essa menina é uma flor.
Observe os dois exemplos abaixo:
O tigre é uma fera. (fera = animal feroz - sentido denotativo)
Eu sou fera em matemática. (fera = pessoa inteligente - sentido conotativo)
Podemos classificar as figuras de linguagem em 3 tipos:
a) Figuras de palavras (ou tropos)
b) Figuras de construção (ou sintaxe)
c) Figuras de pensamento
FIGURAS DE PALAVRAS ou TROPOS
1. Metáfora: é o desvio da significação própria de uma palavra nascido de uma comparação mental ou característica comum entre dois seres ou fatos.
O pavão é um arco-iris de plumas (...é como um arco-íris...)
Essa menina é uma flor.
Por seu uso repetido, certas metáforas vulgarizam-se, tornando-se banais. Por causa disso, perde sua força expressiva. Chama-se clichê esse tipo de metáfora, que deve ser evitada.
2. Comparação (ou símile): consiste em se confrotar pessoas ou coisas de forma a se destacar semelhanças entre elas.
A criança é tal qual uma plantinha delicada: precisa de amor e proteção.
ATENÇÃO: Não confundir metáfora e comparação. A última tem os termos expressos ligados com nexos comparativos (como, assim como...)
Nero foi cruel como um monstro (comparação)
Nero foi um monstro (metáfora)
3. Metonímia (ou sinédoque): consite em usar uma palavra por outra, com a qual se acha relacionada. Veja alguns exemplos:
Nas horas de folga lia Camões (O autor pela obra - lia a obra de Camões)
Ele é um bom garfo (O instrumento pela pessoa que o utiliza - ele é comilão)
Ele não tinha teto onde se abrigasse (A parte pelo todo - ele não tinha casa...)
4. Perífrase: é uma expressão que designa os seres por meio de alguma de suas características.
O rei dos animais foi generoso (= leão)
2. Comparação (ou símile): consiste em se confrotar pessoas ou coisas de forma a se destacar semelhanças entre elas.
A criança é tal qual uma plantinha delicada: precisa de amor e proteção.
ATENÇÃO: Não confundir metáfora e comparação. A última tem os termos expressos ligados com nexos comparativos (como, assim como...)
Nero foi cruel como um monstro (comparação)
Nero foi um monstro (metáfora)
3. Metonímia (ou sinédoque): consite em usar uma palavra por outra, com a qual se acha relacionada. Veja alguns exemplos:
Nas horas de folga lia Camões (O autor pela obra - lia a obra de Camões)
Ele é um bom garfo (O instrumento pela pessoa que o utiliza - ele é comilão)
Ele não tinha teto onde se abrigasse (A parte pelo todo - ele não tinha casa...)
4. Perífrase: é uma expressão que designa os seres por meio de alguma de suas características.
O rei dos animais foi generoso (= leão)
Outros exemplos: Cidade Luz (Paris), Cidade Eterna (Roma), Cidade Maravilhosa (Rio de Janeiro), Veneza Brasileira (Recife), Onde o Sol nasce primeiro (João Pessoa), Rainha da Borborema (Campina Grande), Terra da Garoa (São Paulo).
Referindo-se a uma pessoa, o termo adequado é antonomásia.
Exemplos: O Poeta dos Escravos (Castro Alves), Homem do Baú (Silvio Santos), Rainha dos Baixinhos (Xuxa).
5. Sinestesia: é a mistura de sentidos na frase.
Sua voz doce e aveludada era uma carícia em meus ouvidos. [voz = sensação auditiva, doce = sensação gustativa, aveludada = sensação tátil]
6. Catacrese: uso especial, por analogia, de uma palavra, devido à falta ou desconhecimento do termo apropriado.
Dente de alho
Barriga da perna
FIGURAS DE CONSTRUÇÃO ou SINTAXE
1. Elipse: é a omissão de um termo facilmente subentendido pelo contexto.
A moça estava ali, os olhos postos no chão. (com)
Sua voz doce e aveludada era uma carícia em meus ouvidos. [voz = sensação auditiva, doce = sensação gustativa, aveludada = sensação tátil]
6. Catacrese: uso especial, por analogia, de uma palavra, devido à falta ou desconhecimento do termo apropriado.
Dente de alho
Barriga da perna
FIGURAS DE CONSTRUÇÃO ou SINTAXE
1. Elipse: é a omissão de um termo facilmente subentendido pelo contexto.
A moça estava ali, os olhos postos no chão. (com)
É muito usada na linguagem cotidiana: o (telefone) celular, o (membro) representante, a (carta) circular, o (documento) abaixo-assinado, a (caneta) esferográfica, a (igreja) catedral, o (filme) documentário, o controle (remoto), o décimo terceiro (salário), a (agência) funerária, a estação (de trem), a (casa) lotérica, o (medicamento) genérico, a parada (de ônibus).
2. Zeugma: Tipo especial de elipse em que se omite um termo expresso anteriormente para evitar sua repetição.
Luís foi à escola; Marcos, à biblioteca. (foi)
3. Pleonasmo: é o emprego de palavras redundantes, com o fim de reforçar a expressão.
Tenha pena de sua filha, perdoe-lhe pelo divino amor de Deus.
4. Assíndeto: omissão de um conectivo coordenativo.
Vim, vi, venci.
5. Polissíndeto: É a repetição intencional de conectivo coordenativo.
Trejeita, e canta, e ri nervosamente.
Mão gentil, mas cruel, mas traiçoeira.
6. Hipérbato (ou inversão): consiste em alterar a ordem dos termos ou orações com o fim de lhes dar destaque.
2. Zeugma: Tipo especial de elipse em que se omite um termo expresso anteriormente para evitar sua repetição.
Luís foi à escola; Marcos, à biblioteca. (foi)
3. Pleonasmo: é o emprego de palavras redundantes, com o fim de reforçar a expressão.
Tenha pena de sua filha, perdoe-lhe pelo divino amor de Deus.
4. Assíndeto: omissão de um conectivo coordenativo.
Vim, vi, venci.
5. Polissíndeto: É a repetição intencional de conectivo coordenativo.
Trejeita, e canta, e ri nervosamente.
Mão gentil, mas cruel, mas traiçoeira.
6. Hipérbato (ou inversão): consiste em alterar a ordem dos termos ou orações com o fim de lhes dar destaque.
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante (Hino Nacional Brasileiro)
7. Anástrofe: tipo especial de inversão das palavras vizinhas:
O irmão dela foi da discórdia o pomo.
Considerada uma inversão tão violenta que prejudica o sentido, alguns consideram a sínquise como figura de linguagem, e outros como vício de linguagem.
Um fusca tinha Fabiano cor-de-rosa.
8. Anacoluto: é a quebra ou interrupção do fio da frase, deixando um termo sem nexo sintático. Deve-se usá-lo com sobriedade e consciência.
Eu, pouco me importa esse assunto.
8. Anacoluto: é a quebra ou interrupção do fio da frase, deixando um termo sem nexo sintático. Deve-se usá-lo com sobriedade e consciência.
Eu, pouco me importa esse assunto.
Se o termo solto na frase não tiver valor expressivo e prejudicar o sentido do enunciado, não se trata de uma figura de linguagem, mas de um defeito de construção sintática da frase.
9. Silepse: é a concordância com a idéia associada na mente. Podemos ter:
9.1 Silepse de gênero:
Vossa Majestade será informado acerca de tudo. (Vossa Majestade é termo feminino, mas estamos concordando com a idéia de que Vossa Majestade é homem.)
9.2 Silepse de número:
Corria gente de todos os lados, e gritavam. (O núcleo do sujeito, gente, está no singular, mas
gritavam concorda com a idéia de pessoas de todos os lados...)
9.3 Silepse de pessoa - recurso muito usado quando o autor quer se incluir na frase:
Aliás todos os sertanejos somos assim (concordância com a idéia de que o autor da frase também é sertanejo e está se incluindo)
O Presidente da República faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:
10. Onomatopeia: consiste no uso de palavras que imitam o som ou a voz natural dos seres. É um recurso fonêmico que a língua proporciona ao escritor.
Pedrinho, sem mais palavras, deu rédea e, lept! lept! arrancou estrada afora.
11. Iteração: consiste em repetir uma palavra ou oração para enfatizar a afirmação ou sugerir insistência, progressão.
Tudo, tudo, parado: parado e morto.
10. Onomatopeia: consiste no uso de palavras que imitam o som ou a voz natural dos seres. É um recurso fonêmico que a língua proporciona ao escritor.
Pedrinho, sem mais palavras, deu rédea e, lept! lept! arrancou estrada afora.
11. Iteração: consiste em repetir uma palavra ou oração para enfatizar a afirmação ou sugerir insistência, progressão.
Tudo, tudo, parado: parado e morto.
Não confundir iteração com interação ou interatividade.
12. Aliteração: repetição expressiva de um fonema consonantal.
Que a brisa do Brasil beija e balança.
13. Anáfora: repetição de um termo no início de cada verso ou frase.
Agora preciso ver-te,
Agora desejo amar-te.
14. Hipálage: adjetivação de uma palavra em vez de outra.
Ao som do mar e à luz do céu profundo. - Hino Nacional Brasileiro (na verdade o mar que é profundo)
12. Aliteração: repetição expressiva de um fonema consonantal.
Que a brisa do Brasil beija e balança.
13. Anáfora: repetição de um termo no início de cada verso ou frase.
Agora preciso ver-te,
Agora desejo amar-te.
14. Hipálage: adjetivação de uma palavra em vez de outra.
Ao som do mar e à luz do céu profundo. - Hino Nacional Brasileiro (na verdade o mar que é profundo)
15. Enálage: uso de um tempo verbal por outro.
Que seria de mim, não fora sua ajuda? (fora no lugar de fosse)
16. Quiasmo: inversão e repetição de termos, com ou sem alterações.
...tinha uma pedra no meio do caminho,
no meio do caminho tinha uma pedra.
17. Prolepse (ou antecipação): consiste na deslocação de um termo de uma oração para outra que a preceda, com o que adquire excepcional realce.
Os pastores parece que vivem no fim do mundo.
FIGURAS DE PENSAMENTO
1. Antítese: consiste na aproximação de palavras ou expressões de sentido oposto.
Quando a bola saía, entravam os comentários dos torcedores.
2. Apóstrofe: é a interrupção que faz o orador ou escritor para se dirigir a pessoas presentes ou ausentes, reais ou fictícias.
Deus te leve a salvo, brioso e altivo barco, por entre as vagas revoltas...
3. Eufemismo: consiste em suavizar a expressão de uma idéia triste com palavras amenas.
Fulano foi desta para melhor. (em vez de morreu).
O antônimo do eufemismo é o disfemismo, que consiste em usar uma palavra ou expressão rude ou vulgar para definir pessoas ou situações. Atualmente, há uma tendência em condená-las, por serem politicamente incorretas. Deve ser considerado um vício de linguagem, e seu uso deve ser evitado.
4. Gradação: é uma seqüência de idéias colocadas em sentido crescente (clímax) ou decrescente (anticlímax).
Ele foi um tímido, um frouxo, um covarde.
5. Hipérbole: é uma afirmação exagerada que visa um efeito expressivo.
Estava morto de sede.
6. Ironia: é a figura pela qual dizemos o contrário do que pensamos ou acreditamos.
Você fez um excelente serviço (para dizer que fez um serviço péssimo)
7. Paradoxo (ou oxímoro): uso intencional de um contrassenso.
O que não tenho e desejo é o que melhor me enriquece.
8. Personificação (ou prosopopeia): é a figura pela qual fazemos seres inanimados agirem e sentirem como seres humanos.
Os sinos chamam para o amor.
9. Reticência: consiste em suspender o pensamento, deixando-o inacabado.
De todas, porém, a que me cativou logo foi uma... uma... não sei se digo.
10. Retificação: consiste em retificar uma afirmação anterior.
O síndico, aliás uma síndica muito gentil, não sabia como resolver o caso.
São três os processos utilizados pelo narrador para comunicar a fala dos personagens:
Discurso Direto — é aquele em que o narrador reproduz textualmente a fala dos personagens; no discurso direto encontramos com frequência os “verbos dicendi", tais como: afirmar, acrescentar, dizer, exclamar, falar, perguntar, responder, etc.
— Papai, disse Dona Ismênia, gosta muito de modinhas... É do Norte; a senhora sabe, Dona Adelaide, que gente do Norte aprecia muito. Venham.
(Lima Barreto)
Discurso Indireto — é aquele em que o narrador reproduz a fala dos personagens em 3ª pessoa; também no discurso indireto encontramos “verbos dicendi":
Capitu deixou-se estar pensando e olhando para mim, e disse afinal que era preciso emendá-lo.
(Machado de Assis)
Discurso Indireto Livre — é aquele em que o narrador reproduz a fala dos personagens misturando a ela a sua própria fala:
Na madrugada que nasce, as estrelas começam a desaparecer do céu. Mas Pedro Bala parece ver numa estrela que corre a estrela de Dora que o alegra. Companheira... Também ela tinha sido uma companheira boa. A palavra brinca na sua boca, é a palavra mais bonita que ele já viu.
(Jorge Amado)
Versificação é a técnica de fazer versos.
Verso é a linha poética, com número determinado de sílabas e agradável movimento rítmico.
Os elementos principais do verso são: metro, ritmo e rima.
Metro — é a extensão da linha poética. Escandir significa decompor o verso em sílabas métricas. As sílabas métricas são, muitas vezes, diferentes das sílabas gramaticais.
Princípios da Escansão
1. Quando há vogal no final de uma palavra e vogal no início da palavra seguinte, conta-se apenas uma sílaba:
gran / de a / mor
Observações:
a. as vogais que formam uma sílaba métrica devem ser átonas e não devem passar de três:
be / la au / ro / ra
b. o “a” craseado não é considerado sílaba átona:
Em / al / gum / lu /gar / teus / o/ lhos / se/ fe / cham / à / i / de / ia / dos / meus/.
(Vinicius de Moraes)
2. A contagem de sílabas métricas faz-se somente até a sílaba tônica da última palavra:
Can / ção / à / vi / da / por / te / ver / sor / rin / do.
(Jorge Armenio)
3. Os ditongos, geralmente, formam uma só sílaba métrica:
pá / tria / ge / ne / ro / sa
4. Os hiatos mantêm, em geral, as vogais separadas:
O / pen / sa / men / to / ru / im / que / a / ca / be / ça en / tra / nha
(Peninha)
Existem alguns processos fonéticos aos quais os poetas recorrem para que o metro seja perfeito:
1. Sinalefa — é a união de duas sílabas através de:
a. crase — fusão de duas vogais iguais em uma só:
minha alma = mi / nh'al / ma
b. elisão — queda da vogal átona final de urna palavra quando a palavra, seguinte começa por vogal:
minha infância = mi / nh’ in / fân / cia
2. Diérese — transformação de ditongo em hiato:
sa / u / da / de
3. Sinérese — transformação de hiato em ditongo:
vio / le / ta
4. Aférese — queda de fonema ou sílaba inicial:
'Sta / mos / em / ple / no / mar/.
(Castro Alves)
5. Ectilipse — queda do M final de uma palavra, quando a palavra seguinte começa por vogal:
com a = co’a
com um = co’um ou c'um
6. Paragoge ( = Epítese) — acréscimo de fonema no final da palavra:
mártire (por mártir)
de + ex: des - sons iguais
ma + im: mim - desapareceu a vogal A
te + e + es: ties - ditongo IE
Ritmo — é a musicalidade do verso. Quanto ao número de sílabas métricas, o verso pode ser:
1. Monossílabo — com uma sílaba:
Quem /
não /
tem /
seu /
bem /
(Cassiano Ricardo)
2. Dissílabo — com duas sílabas:
Um / rai / o
ful / gu / ra
(Gonçalves Dias)
3. Trissílabo — com três sílabas:
Vou / de / pres / sa
vou / cor / ren / do
(Manuel Bandeira)
4. Tetrassílabo — com quatro sílabas:
Que / quer / o / vem / to
(Ribeiro Couto)
5. Pentassílabo ( = Redondilha Menor) — com cinco sílabas:
A / noi / te / pa / ra / da...
(Mário Quintana)
6. Hexassílabo — com seis sílabas:
Vi / da / te / nho / uma / só /
(Ferreira Gullar)
7. Heptassílabo ( = Redondilha Maior) — com sete sílabas:
Com / as / lá / gri / mas / do / tem / po
(Vinícius de Moraes)
8. Octossílabo — com oito sílabas:
O / bran / co / não / é / u / ma / cor /
(João Cabral de Melo Neto)
9. Eneassílabo — com nove sílabas:
O / ven / to / brin / ca / va / tra / ves / su / ras...
(Ciça Dutra)
10. Decassílabo — com dez sílabas. Ele pode ser:
a. heroico — com acento na sexta e na décima sílabas:
Pas / sa / ra a / vi / da in / tei / ra a / com / tem / plar / te
(Gonçalves Dias)
b. sáfico — com acento na quarta, na oitava e na décima sílabas:
Al / ma / de / fo / go / co / ra / ção / de / la / vas
(Álvares de Azevedo)
11. Endecassílabo — com onze sílabas:
A / mo a a / ven / ca / de / li / ca / da / que / re / nas / ce
(Cora Coralina)
12. Dodecassílabo ( = Alexandrino) — com doze sílabas:
O ou / ro / ful / vo / do o / ca / so as / ve / lhas / ca / sas / co / bre
(Olavo Bilac)
Observações:
a. chama-se ―Verso Bárbaro o que possui mais de doze sílabas:
Que / har / mo / nia / pa / ra / di / sí / a / ca / na / dan / ça / dos / pa / ra / nás /
(Pereira da Silva)
b. chama-se Verso de Ritmo Livre o que não tem o número e a disposição das sílabas átonas e tônicas uniformes e coincidentes:
O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
promete ajudar a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta
um verme.
(Carlos Drummond de Andrade)
c. chama-se Cesura a pausa interna, que possuem os versos longos (geralmente com dez ou mais sílabas); ela divide o verso em duas partes, que se chamam “hemistíquios”, acentuando o movimento rítmico:
Consola aquela dor, naquela angústia chora.
(Castro Alves)
Rima — é a correspondência de sons. Podemos classificar as rimas:
Quanto ao som em:
1. Perfeitas ou Imperfeitas:
a. perfeitas — quando existe identidade completa dos sons finais:
Partituras imensas são os nossos dias,
nem sempre entoando doces melodias.
(Léa Amazonas)
b. imperfeitas — quando a identidade dos sons finais é incompleta:
Teu perfil tem a linha imaginária
das mais felizes frases literárias.
(Paulo Mendes Campos)
2. Consoantes ou Toantes:
a. consoantes ( = soantes) — as que têm os mesmos sons a partir da última vogal tônica:
Iremos assim vivendo,
Com sucesso neste mundo,
Vamos sempre aprendendo
com um saber mais profundo.
(Orpheu Luz Leal)
b. toantes ( = assoantes) — as que são feitas somente com as vogais tônicas:
Serás um dia
vago retrato
de quem se diga
o antepassado.
(Cecília Meireles)
3. Agudas, Graves ou Esdrúxulas:
a. agudas ( = masculinas) — as que são feitas entre palavras oxítonas ou monossílabos tônicos:
No seu coração
dorme um leão.
(Murilo Mendes)
b. graves ( = femininas) — as que são feitas entre palavras paroxítonas:
Ela é toda candura,
Desmancha-se em doçura.
(Elzio Luz Leal)
c. esdrúxulas — as que são feitas entre palavras entre palavras proparoxítonas:
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
bebeu e soluçou como se fosse máquina
dançou e gargalhou como se fosse o próximo.
(Chico Buarque)
Quanto à maneira por que se dispõem nos versos em:
1. Emparelhadas ( = Paralelas) — as que se sucedem duas a duas (a-a-b-b):
Quando o espectro da Cruz, braços na noite abertos,
fez tremer de aflição os sinistros desertos
da Vida, onde chorava a Humanidade, — um grito
tombou de treva em treva, assombrando o Infinito.
(Moacyr de Almeida)
2. Alternadas ( = cruzadas) — as que se alternam rimando o primeiro verso com o terceiro, o segundo verso com o quarto e assim por diante (a-b-a-b):
Ó pérola nitente
ó pérola do amor
ó ímã redolente
das pétalas da flor.
(Cruz e Sousa)
3. Opostas ( = Enlaçadas ou Interpoladas) — as que são feitas entre o primeiro e o quarto versos e entre o segundo e o terceiro versos (a-b-b-a):
Vem me dizer
que a dor da saudade
é a marca da felicidade
que eu não consigo esquecer.
(Conceição Santos)
4. Encadeadas ( = Internas) — as que são feitas entre a última palavra de um verso e uma palavra do meio do verso seguinte:
de jejuar os boatos
mais gratos ao paladar?
(Fernando Fortes)
5. Iteradas ( = Coroadas) — as que são feitas no mesmo verso:
a terra está nova: devemos olhar o sol se elevar.
(Jorge de Lima)
6. Misturadas — são as que têm distribuição livre:
Unidas... Ai quem pudera
n' uma eterna primavera
viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
na rama verde e florida,
na verde rama do amor.
(Castro Alves)
Nota — chama-se Oitava Rima a que é feita com versos que obedecem ao esquema a-b-a-b-a-b-c-c. Ocorre a oitava rima quando as estrofes são “oitavas”, isto é, compostas por oito versos; se os versos forem decassílabos, serão oitavas reais:
As armas e os barões assinalados
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
E em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
Entre gente remota edificarão
Novo reino que tanto sublimarão.
(Camões)
Quanto ao valor em:
1. Pobres — entre palavras que pertencem à mesma classe gramatical:
Sem que eu volte para lá;
sem que eu desfrute os primores
que não encontro por cá.
(Gonçalves Dias)
2. Ricas — entre palavras de classes gramaticais diferentes:
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura.
(José Régio)
3. Preciosas — formadas por três palavras:
Quisera ser a serpe venenosa
para enroscar-me em múltiplos novelos,
para saltar-te aos seios cor-de-rosa.
E babujá-los e depois mordê-los.
(Cruz e Sousa)
4. Raras — entre palavras de terminação incomum:
Destruiu-me todo o orgânico fastígio...
Dai-me asas, pois, para o último remígio.
(Augusto dos Anjos)
Versos Brancos
Versos brancos ou soltos são aqueles que não têm rima:
Se eu morrer muito novo oiçam isto:
nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
de uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
nem procurei achar nada,
nem achei que houvesse mais explicação
que a palavra explicação não ter sentido nenhum.
(Fernando Pessoa)
Encadeamento
O encadeamento ou "enjambement" ocorre quando a pausa do verso não coincide com a pausa respiratória:
Hei de chorar por lembrar as caídas
lágrimas que caíam de teus olhos,
de teu olhar.
(Luiz Carlos Alves Bastos)
Estrofe
Estrofe ou “estância” é o nome que tem cada grupo de versos de um poema. De acordo com o número de versos, a estrofe classifica-se como:
Monóstico: com um verso
Dístico: com dois versos
Terceto: com três versos
Quadra: com quatro versos
Quintilha: com cinco versos
Sextilha: com seis versos
Septilha: com sete versos
Oitava: com oito versos
Nona: com nove versos
Décima: com dez versos
Observação — a estrofe com mais de dez versos recebe o nome de estrofe irregular.
Leia o poema “Andorinha”, formado de dois dísticos:
Andorinha lá fora está dizendo:
— Passei o dia à toa, à toa!
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa...
(Manuel Bandeira)
Soneto
O soneto é um poema com forma fixa. É formado de quatorze versos e cada verso possui, geralmente, dez sílabas poéticas.
Pode ser apresentado em três formas de distribuição dos versos, todos com:
Soneto Italiano ou Petrarquiano: com duas estrofes de quatro versos (quartetos) e duas de três versos (tercetos);
Soneto Inglês ou Shakespeariano: com três quartetos e um dístico;
Soneto Monostrófico: com uma única estrofe de 14 versos.
Soneto da Felicidade
De tudo, ao meu amor serei atento
antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu canto
e rir meu riso e derramar meu pranto
ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
quem sabe a morte, angústia de quem vive
quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
que não seja imortal posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinicius de Moraes)
Observação: O mais comum é o Soneto Italiano, com os quatorze versos agrupados em dois quartetos e dois tercetos; geralmente os quartetos têm rimas ABBA /ABBA e os tercetos CDC / CDC.
Refrão
Refrão, também chamado de estribilho, é o verso que se repete no final das estrofes:
Os favos, as pedras, as conchinhas
dentro do cuieté, por tuas mãos pintado,
são o teu tesouro.
Os discos, os quadros, os livros
nas estantes empilhados,
são o teu tesouro.
A chuva, o sol, os pés no chão;
a sina do verso, o rumor da tarde
são o teu tesouro.
(Ciça Dutra)
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