Pílulas do Conhecimento - Programa 11 - Classificação das Orações

Em análise sintática, já falamos um pouco sobre frase, oração e período. Agora, preocupar-nos-emos apenas com a classificação das orações. As orações podem ser coordenadas ou subordinadas.




ORAÇÃO COORDENADA

É a oração que se une a uma outra , também coordenada, sem lhe representar um termo sintático. É, portanto, independente. Podem ser:

ASSINDÉTICAS - Se estiverem, simplesmente, justapostas, isto é, colocadas uma ao lado da outra, sem qualquer conectivo que as enlace, ligadas por vírgula, ponto e vírgula, dois-pontos ou travessão:
Será uma vida nova, / começará hoje, / não haverá nada pra trás.

Essas orações não comportam classificação, embora possam ser percebidas diferentes relações entre elas, por exemplo: de adição (vim, vi, venci), de oposição (eles partiram, eu fiquei), de explicação (chegue mais cedo, precisamos conversar)

SINDÉTICAS - Quando se prendem às outras pelas conjunções coordenativas:
A Grécia seduzia-o, / mas Roma dominava-o.

As Sindéticas classificam-se em:
Aditivas - Expressam adição, soma, sequência de fatos ou pensamentos.
A doença vem a cavalo e volta a pé.
Adversativas - Exprimem contraste, oposição, ressalva.
A espada vence, mas não convence.
Alternativas - Exprimem alternância, alternativa, exclusão.
Jacinta não vinha à sala, ou retirava-se logo.
Conclusivas - Expressam conclusão, dedução, consequência lógica.
Raimundo é homem são, portanto deve trabalhar.
Explicativas - Exprimem explicação, justificativa.
Leve-lhe uma lembrança, que ela aniversaria amanhã.




ORAÇÃO SUBORDINADA

É a oração que representa um termo sintático de uma outra oração, que se diz principal. Podem ser:
Substantivas - Exercem as funções próprias do substantivo (sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal, aposto).
Peço / que desistas.
Adjetivas - Exercem a função dos adjetivos (adjunto adnominal).
Pessoa / que mente / não merece fé. (pessoa mentirosa)
Adverbiais - Exercem a função dos advérbios (adjunto adverbial).
Chegamos / quando anoitecia.

SUBSTANTIVAS

Recebem esse nome porque exercem funções sintáticas tipicamente exercidas por substantivos. Podem ser substituídas por um pronome substantivo: ISSO, ESSE, ESSA, ESSES ou ESSAS. Quando desenvolvidas, são iniciadas por conjunção integrante, pronome ou advérbio interrogativo, quando nas frases interrogativas indiretas. Tal conjunção não possui valor semântico específico, apenas liga as orações. A classificação das orações obedece a critérios sintáticos. Podem ser reduzidas, apenas na forma infinitiva.

Forma desenvolvida - iniciada por conjunção integrante, pronome ou advérbio interrogativo, verbo flexionado
Forma reduzida - sem conjunção integrante, advérbio ou pronome, verbo expresso no infinitivo

Essas conjunções não exercem valor semântico, apenas ligam as orações. Porém, existe uma sutil diferença de sentido: o que introduz uma certeza e o se, uma dúvida.

Classificam-se em:
Subjetivas, quando exercem função de sujeito:
É certo / que a presença do dono o sossegava um pouco.
(ISSO é certo)

Objetivas diretas, quando exercem a função de objeto direto:
Respondi-lhe / que já tinha lido a receita em qualquer parte.
(Respondi-lhe ISSO)

Objetivas indiretas, quando exercem a função de objeto indireto:
Não me esqueço / de que estavas doente / quando ele nasceu.
(Não me esqueço DISSO ...)

Completivas nominais, quando exercem a função de complemento nominal de um substantivo, adjetivo ou advérbio:
Ele tem a mania / de que alho faz bem à saúde!
(Ele tem a mania DISSO)

Predicativas, quando exercem a função de predicativo:
A verdade é / que eu ia falar outra vez de Noêmia.
(A verdade é ESSA)

Apositivas, quando exercem a função de aposto:
Só dizia uma coisa: / (que) venceria os obstáculos.
(Só dizia uma coisa: ESSA)

Frequentemente são precedidas de dois-pontos e, eventualmente, podem vir entre vírgulas ou travessões. Diferente das demais orações, pode vir sem a presença da conjunção integrante.

Agentes da passiva, quando exercem a função de agentes da passiva.
O quadro foi comprado / por quem o fez.
(O quadro foi comprado por ESSES)

A NGB não reconhece as orações subordinadas substantivas com função de agente da passiva, mas elas existem. 

ADJETIVAS
Recebem esse nome porque exercem funções sintáticas tipicamente exercidas por adjetivos, ou seja, adjunto adnominal. Quando desenvolvidas, são iniciadas por pronomes relativos (que, o qual - e flexões, quem, onde, cujo - e flexões, quanto - e flexões, como, quando). Esses pronomes desempenham diferentes funções sintáticas (sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial) na oração por eles introduzidas. Podem ser reduzidas de infinitivo, gerúndio ou particípio.
Podem ser:


Orações subordinadas adjetivas restritivas
Há saudades que a gente nunca esquece.

ATENÇÃO!! Essas orações restringem, delimitam, particularizam a significação do antecedente e ligam-se a ele diretamente, sem pausa.

Orações subordinadas adjetivas explicativas
Valério, que nasceu rico, acabou na miséria.

ATENÇÃO!! Essas orações generalizam, universalizam a significação do termo antecedente e devem ser separadas por vírgulas, travessões ou parênteses.

Forma desenvolvida - iniciada por pronome relativo, verbo flexionado
Forma reduzida - sem pronome relativo, verbo expresso no infinitivo, gerúndio ou particípio




ADVERBIAIS
Recebem esse nome porque exercem funções sintáticas tipicamente exercidas por advérbios, ou seja, adjunto adverbial. Tal conjunção ou locução conjuntiva possui valor semântico. Quando desenvolvidas, são iniciadas por qualquer conjunção subordinativa, com exceção das integrantes. Podem ser reduzidas de infinitivo, gerúndio ou particípio. Essas conjunções não desempenham nenhuma função sintática.
Podem ser, segundo Cegalla:

Causais - exprimem causa, motivo, razão:
O tambor soa porque é oco.

Comparativas - representam o segundo termo de uma comparação:
Certos cantores gesticulam mais do que cantam.
O esquilo é tão ágil quanto o macaco.

Concessivas - exprime um fato contrário ao da oração principal, mas insuficiente para anulá-lo:
Embora não possuísse informações seguras, ainda assim arriscou uma opinião.

Condicionais - exprimem condição, hipótese:
Que diria o pai se soubesse disso?

Conformativas - exprimem conformidade, adequação:
Consoante opinam alguns, a História se repete.

Consecutivas - exprimem uma consequência, um efeito ou resultado:
De tal sorte a cidade crescera que não a reconhecia mais.

Finais - exprimem finalidade, intenção:
Fiz-lhe sinal que se calasse.

Proporcionais - denotam proporção direta ou inversa ou fato simultâneo:
O valor do salário, ao passo que os preços sobem, vai diminuindo.

Temporais - indicam o tempo em que se realiza o fato na oração principal:
Sempre que vou à cidade, passo pelas livrarias.

Modais - exprimem modo, maneira:
Entrou na sala sem que nos cumprimentasse. 

Locativas - equivalem a um adjunto adverbial de lugar e são iniciadas pelo advérbio onde que pode vir precedido de preposição:
Venha por onde eu passar. 

Só é locativa se não aparecer o antecedente, se vier expresso, será adjetiva.

A NGB não reconhece as orações subordinadas adverbiais modais e locativas, mas elas existem.

Forma desenvolvida - iniciada por conjunção subordinativa (exceto a integrante), verbo flexionado
Forma reduzida - sem conjunção, verbo expresso no infinitivo, gerúndio ou particípio

Características da oração reduzida:

Possui verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio
Não é ligada por conjunção subordinativa, pronome relativo, pronome ou advérbio interrogativo
Pode ser introduzida por preposição ou locução prepositiva
Na maioria das vezes, é uma oração subordinada (substantiva, adjetiva ou adverbial)
Quanto às adverbiais, as causais, concessivas, condicionais e temporais podem ser reduzidas de infinitivo, gerúndio e particípio, as consecutivas e finais só podem ser reduzidas na forma infinitiva, as comparativas, conformativas e proporcionais são sempre desenvolvidas
Há orações reduzidas, especialmente adverbiais, que permitem mais de um desenvolvimento: Indo ao cartório, você assinará o documento. (temporal / condicional); Desaparecida a lanterna, ficamos no escuro. (temporal / causal)
Há orações reduzidas que não se desdobram, chamam-se reduzidas fixas: Tenho muita vontade de falar com ela. / Enriqueceu vendendo joias.
Eventualmente, uma oração coordenada aditiva pode ser reduzida de gerúndio: Pagou a conta, ficando livre dos juros. / O poeta residiu em Ilhéus na década de 50, dedicando-se tão somente à literatura nesse período.

Para alguns, a primeira oração é adverbial consecutiva e a segunda, adverbial final.


COORDENADA EXPLICATIVA X SUBORDINADA ADVERBIAL CAUSAL
Observem os exemplos e vejam o que primeiro acontece neles:

1) O tambor soa porque é oco
2) Não vou à praia que o tempo está feio
3) Não saia agora, que vai chover
4) Ela chorou, que eu vi

Os exemplos 1 e 2 são de orações subordinadas adverbiais causais. A causa acontece primeiro e depois vem o efeito dela.

Primeiro o tambor é feito com uma forma oca.
Depois o som que ele produz ecoa.
Primeiro o tempo fica feio
Depois eu resolvo não ir à praia

As vírgulas, nestes casos, não aparecem porque estão no sentido direto (principal+subordinada). Se houver anteposição ou intercalação, a vírgula será obrigatória.

Os exemplos 3 e 4 são de orações coordenadas explicativas. A explicação acontece depois.

Primeiro eu não saio
Depois vai chover
Primeiro ela chora
Depois eu vejo (a causa do choro é outra: uma queda, uma emoção, mas ela não chora porque eu vejo)

As vírgulas nestes casos são obrigatórias.

As conjunções coordenativas adversativas (exceto mas) e conclusivas, além de aparecerem no início, podem aparecer no meio ou no fim da oração.

As orações subordinadas substantivas não se separam por vírgula, porque termos imediatos (sujeito e predicado, verbo e objeto direto ou indireto, nome e complemento nominal, verbo de ligação e predicativo, locução verbal passiva e agente da passiva) não se separam por vírgula. 

A oração subordinada substantiva apositiva se separa da oração principal por vírgula, dois-pontos ou travessão, assim como o aposto.

Os pronomes relativos exercem funções sintáticas na oração adjetiva. Para analisá-los, deve-se substituir o pronome por seu antecedente e verificar a função que o antecedente do pronome relativo exerce na oração adjetiva. A função sintática que ele exercer na oração adjetiva será a mesma que ele exercer no pronome relativo.

As principais funções sintáticas exercidas são: sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial, adjunto adnominal (função exercida somente pelo pronome relativo 'cujo' e flexões)

Entre as orações subordinadas adjetivas explicativas e a principal há uma pausa, marcada na escrita por vírgula.
Em geral, as orações adjetivas restritivas não se separam por vírgula. Podem terminar por vírgula quando terminarem por um verbo seguido do mesmo da oração principal.

Uma mesma conjunção ou locução conjuntiva pode iniciar vários tipos de subordinadas adverbiais: desde que - temporal ou condicional / uma vez que - condicional ou causal / como - causal, comparativa ou conformativa

As orações adverbiais podem aparecer depois e antes da principal ou intercalada nela. Não são todos os tipos cuja posição pode variar. Por exemplo, as consecutivas e comparativas têm posição fixa: estão sempre depois da principal.

As orações adverbiais antes da oração principal ou intercaladas devem ser separadas por vírgula. Se vierem depois da principal, a vírgula será facultativa.

Para classificar orações adjetivas e adverbiais reduzidas, costuma-se adotar o seguinte procedimento: desenvolvê-las, fazendo aparecer o conectivo (conjunção subordinativa, locução conjuntiva ou pronome relativo), classificar a oração e aplicar a classificação da oração desenvolvida à reduzida, acrescentando as palavras reduzida de infinitivo, reduzida de gerúndio ou reduzida de particípio, conforme o caso.

Para classificar orações substantivas reduzidas, basta verificar a função sintática que exerce na oração, classificar a oração e aplicar a classificação da oração desenvolvida à reduzida, acrescentando as palavras reduzida de infinitivo.

Quando o infinitivo, o gerúndio e o particípio são verbos principais de uma locução verbal, não há oração reduzida. Nesses casos, há períodos simples.

É comum omitir a preposição em orações que deveriam ser introduzidas, como as objetivas indiretas e completivas nominais.

O uso de orações reduzidas é um importante recurso para dar concisão ao texto, pois, recorrendo a elas, evitamos o excesso de conectivos.

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